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domingo, 15 de outubro de 2023

Punição coletiva no meio escolar


Punição coletiva no meio escolar
Por Giulieny Matos
Um dos maiores problemas nas escolas não se refere ao ensino do conteúdo, mas ao convívio pacífico e aos comportamentos humanos. Um fato curioso é a tendência do ser humano em querer impor seu autoritarismo seja na escola, no trabalho ou no âmbito familiar. Na nossa sociedade brasileira ainda não nos é amplamente ensinado a lidar com os conflitos. Estes, porém, não são necessariamente bons ou ruins, mas divergências que precisarão ser debatidas e solucionadas. Caminhamos ainda a passos lentos nesse sentido.

“Alguns colegas estavam conversando alto e fazendo bagunça... mas a tia não deixou ninguém ir para o banho de mangueira.” Aluno de 3º ano fundamental.

Lógico que é muito mais fácil tentar controlar uma turma de alunos jogando a responsabilidade da consequência do comportamento ruim de um ou de mais alunos para todos os demais alunos da turma, impondo aos outros colegas de turma responsabilidades que não pertencem a eles. O curioso é que esse tipo de comportamento, mais comumente ocorrido dentro de sala de aula, na relação professor  versus alunos, permeia todas as turmas e todas as idades, não sendo restrito aos alunos maiores. Existem relatos de crianças do 2º ano fundamental, que já sabem se expressar e explicitar situações nas quais se sentiram prejudicadas e injustiçadas. Também são comuns relatos sobre a punição coletiva no ensino médio e na faculdade.

Fruto do inconsciente coletivo, de séculos de imposições, maus tratos e covardias, resta no subconscientemente humano o desejo da imposição, quando um pouco de consenso e humildade deveria prevalecer.  No ambiente escolar não é diferente, já que os modelos de relações humanas se propagam onde a pessoa se encontra.

Já pensando especificamente na punição coletiva como absurda e impraticável, o legislador brasileiro investe categoricamente acerca de como deve ser o tratamento dispensado aos presos no sistema penitenciário brasileiro quando diz que “a pena não deve passar da pessoa do condenado.” E, de modo claro e finito esclarece na Lei de Execuções Penais, em seu artigo 45, inciso 3º, que são vedadas as sanções coletivas. Se isso é determinado para os agentes públicos que tomam conta de presos sentenciados no menor ou maior grau de cometimento de violência, sob pena do Ministério Público invalidar qualquer processo disciplinar pelo abuso de poder, quanto mais deveriam ser criteriosas e ensinadas as atitudes de como o docente deveria saber lidar com a situação no meio escolar.
A lacuna entre exercício da cidadania e a cultura de paz, a falta do exercício da mediação do conflito corroboram para que o sentimento de injustiça brote desde a mais tenra infância, imprimindo no subconsciente humano desejo de justiça a ser buscado por seus próprios meios. Para finalizar, fica a reflexão a seguir. Nós, enquanto pais e educadores, somos perpetuadores de comportamentos distorcidos (pela justificativa superficial de que não tivemos formação em cultura de paz e mediação de conflitos?), temos consciência do nosso grau de influência sobre a sociedade, podemos temer que somos padrinhos coniventes de injustiças sociais?

Tags: comportamento escolar, conflito entre professor, coordenação, direção e aluno, cultura de paz, mediação de conflito, injustiça social

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segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Agressões entre pais estimulam a violência infantil

Agressões entre pais estimulam a violência infantil 


Agressões físicas ou verbais entre os pais impactam mais no equilíbrio psíquico da criança - empurrando-a para o mundo da violência - do que sua submissão a maus tratos. Essa constatação foi apresentada pelo psiquiatra francês Maurice Berger em audiência pública da Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE), nesta quinta-feira (8), evento que integra a 5ª Semana de Valorização da Primeira Infância e Cultura da Paz do Senado.
- A primeira causa de violência é o distúrbio da parentalidade: pais que não conseguem entender as necessidades de suas crianças pequenas. Não entendem o que a criança precisa quando grita, chora ou estende os braços, porque também tiveram uma infância desastrosa - afirmou Berger, que dirige o serviço de psiquiatria infantil e do adolescente do Centro Hospitalar Universitário Saint Etienne, em Paris.
Pais imprevisíveis, centrados em si próprios, usuários de drogas e que manifestam distúrbios psiquiátricos ou produzem violência verbal desestabilizariam o emocional da criança e insuflariam nela um comportamento violento no futuro. De acordo com Berger, bebês submetidos a uma rotina de negligência e estresse já podem demonstrar impulsos violentos com apenas 16 meses.
Fracasso escolar
O psiquiatra francês também chamou atenção para a situação de fracasso escolar que acompanha essas crianças.
- Uma criança pequena angustiada coloca toda sua energia em não pensar, daí a deficiência intelectual. Ela também pode ter atraso no desenvolvimento da linguagem se não houver estímulo à fala, que começa a se manifestar entre dez meses e dois anos e meio - comentou Berger.
Acompanhamento domiciliar
Ações assistenciais para famílias em vulnerabilidade sócioeconômica foram a saída encontrada pela França para tentar minar comportamentos violentos futuros. De acordo com a psicóloga portuguesa Susana Tereno, professora da Universidade Paris Descartes, essa intervenção se baseia em visitas domiciliares semanais, quinzenais ou mensais, que se iniciam aos sete meses de gravidez e se estendem até os dois anos da criança.
A construção de uma relação de apego entre mãe e filho foi apontada como fundamental para a estruturação da saúde mental da criança nos primeiros cinco anos de vida.
- É a relação de apego que permite que a criança tenha estabilidade psíquica e emocional e consiga resistir às situações de estresse da vida - comentou Tereno.
Algumas mães submetidas a essa intervenção não conseguiram superar seus traumas, mas obtiveram uma melhora na relação com o filho. Isso fez com que o nível de organização emocional e psíquica da criança pudesse se equiparar ao de grupos que mantém uma relação de apego equilibrada.
- As mães continuaram a ter comportamento desorganizante, mas aprenderam a lidar com isso e a não repassar para a criança, desorganizado-a também - comentou a psicóloga.
Fonte: Agencia Senado Federal

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Resiliência e salutogênese: antídotos para a violência

Ilustração de Catarina de Matos
Resiliência e salutogênese: antídotos para a violência
Dr João Augusto Figueiró

Muito se escreve e discute sobre a violência física, abuso sexual, trabalho infantil e outros traumas perpetrados contra nossas crianças. Queremos falar de formas silenciosas e mais sutis de violência que acreditamos ser um dos maiores responsáveis pela transmissão transgeracional da violência em nossa sociedade. Formas que todos nós poderíamos desestimular, como atitude de sobrevivência financeira, ou eliminar, se fôssemos ainda mais ousados.

Há maior violência do que transmitirmos aos nossos rebentos a cultura do consumismo atual, de proporções assustadoras e sem disfarces, que destrói valores humanos e dilapida reservas naturais do planeta? Somos resultado de um período marcado pela concentração econômica, de bens, de conhecimento e de cultura, que tem levado à exclusão. Adicionemos a esta receita econômica a pressão consumista jamais vista e teremos pavimentado o terreno para a explosão da violência cotidiana.


A violência leva ao retrocesso. E a violência pouco falada começa no período pré-concepção de fetos indesejados, mal-vindos ou rejeitados, decorrentes da insuficiência de um plano nacional eficaz de controle da natalidade. Permanece nas gestações mal cuidadas, tensas e desamparadas, de partos desnecessariamente cirúrgicos, resultantes principalmente de interesses pecuniários aos quais nossa sociedade fecha os olhos. Continua na primeira infância privada dos nutrientes afetivos fundamentais para o desenvolvimento saudável do ponto de vista psíquico e social. Resulta em modelos corruptos, consumistas, predatórios, competitivos e de dominação que transmitimos às novas gerações.

Sabemos há milênios que um adulto é resultado de sua própria natureza, das suas relações com a família e diferentes grupos sociais, com a cultura e com os valores, crenças, normas e práticas. "Educai as crianças e não será necessário castigar os homens", dizia Pitágoras. Platão clamava pelos melhores "nutrientes" sociais e culturais a serem transmitidos aos menores. Freud demonstrava que as interações precoces envolvendo os aspectos cognitivos e, fundamentalmente, os afetivos são pré-moldes das futuras relações do sujeito consigo, com os outros e com o ambiente. Para Karl Jasper "o homem só pode chegar a seu verdadeiro ser conduzido pelo outro". Jean Jacques Rosseau definiu o homem como um ser "feliz e bom", determinando que os preconceitos culturais e as normas da vida social produziram "sua crueldade e infortúnio". Locke assegurou: "a criança tem tendência inata a desenvolver sua personalidade original sob a influência do ambiente e da aprendizagem". Maria Montessori definiu a preparação do ambiente muito antes do ingresso da criança na escola como "chave da educação e da cultura real da pessoa desde o seu nascimento".

Esquecemos todos esses ensinamentos? Dados práticos dizem que sim. Dos 22 milhões de crianças de zero a seis anos do Brasil, mais de 14 milhões estão fora de qualquer atendimento escolar da educação infantil ou de apoio institucional. O percentual de não-atendidos chega à quase 70%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. A agência Senado informa que 13 milhões de crianças dessa mesma faixa etária, pertencentes a famílias carentes, estão fora de creches. Matéria publicada na imprensa brasileira em 2007 afirma que 12% dos 55,6 milhões de crianças brasileiras menores de 14 anos como vítimas, anualmente, de alguma forma de violência doméstica. Isso corresponde a 12 crianças agredidas por minuto, mas na verdade a negligencia também ai se encontra: não temos dados oficiais confiáveis sobre a violência contra a criança no país.

Exigimos infra-estrutura para o Brasil sob o ponto de vista físico, mas poucos se debruçam sobre o que temos feito no desenvolvimento da infra-estrutura humana que irá gerir estes primeiros recursos. Se a educação acadêmica fosse suficiente para formar pessoas construtoras de um mundo menos violento – e não vai aqui qualquer bravata contra investimentos nesta área, muito ao contrário – não teríamos a bomba atômica, a indústria armamentista, os governos tirânicos e corruptos, as "guerras cirúrgicas", realizações de pessoas muito letradas e "educadas".

Se argumentos científicos, filosóficos e pedagógicos não convencem, mostremos razões econômicas para investir na primeira infância. O Banco Interamericano de Desenvolvimento mostra que um dólar investido nesta faixa etária economiza sete dólares em assistência social, atendimento a doenças mentais, manutenção de sistemas prisionais, repetência e em evasão escolar. Nada teremos de diferente do cenário atual se não tomarmos rumos econômicos mais humanitários conosco mesmos.

Organização não-governamental, apartidária e humanitária sem fins lucrativos, o Instituto Zero a Seis (www.zeroaseis.org) nasceu para colaborar, com fundamentação científica, na construção de uma geração que tenha a cultura de paz e não-violência como fundamento de seu estilo de vida. Vai reunir e disseminar conceitos e práticas para criar uma massa crítica de consciência suficiente para cuidar melhor da primeira infância. No universo de seu público-alvo estão jovens, adultos cuidadores de crianças, pais e mães, educadores, cientistas, profissionais do Direito e da Saúde - especialmente da área mental -, comunicadores, empresários, gestores públicos e privados, artistas e formadores de opinião, além de empresas e instituições.

O novo cenário exige o resgate de valores essenciais à vida em sociedade, tais como a ética, amor e respeito às diferenças. Com isso será possível a promoção da convivência societária e solidária fundamentada cientificamente na resiliência e na salutogênese.

A resiliência, interativa, refere-se à relativa resistência de um individuo às experiências de risco em seu ambiente na superação dos estresses e adversidades de maneira saudável. É utilizado para referir-se a pessoas de performances psicológicas boas a despeito de vivências negativas das quais esperaríamos seqüelas graves.

Criada pelo pesquisador Aaron Antonovsky, em 1979, a salutogênese designa as forças que geram saúde. É o oposto da patogênese, ou seja, as influências que causam a doença. Antonovsky recomenda potencializar forças que se opõem ao estímulo causador da doença para evitar que as pessoas adoeçam. Propõe formas de estimular e preservar esta "força", através da ciência, pela chamada salutogênese, promovendo a saúde individual, coletiva e social.

Eis aqui os principais antídotos da violência que nos dispomos a aplicar.

João Augusto Figueiró é diretor do Conselho Científico do Instituto zeroAseis.

Fonte: Infância e Paz/Senado Federal

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Os estudos de Maurice Berger, França

Coluna Infância e Paz - Cultura de Paz e combate à violência


quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Seminário Internacional Infância e Paz - SF - inscrições abertas!

Olá queridos e queridas!

Ótima notícia!

Abriram as inscrições para o Seminário Internacional 
Infância e Paz 2013, 
Combate a violência infantil 
e cultura de paz.

18 a 21 de novembro de 2013

O tema deste ano é RESILIÊNCIA, fortaleza contra distúrbios psíquicos na vida adulta.

Como sempre,  presença confirmada de professores internacionais e autoridades no assunto.
O futuro da humanidade depende de como tratamos e formamos nossas crianças.

Para saber da programação completa, clique AQUI!
Para realizar sua inscrição, clique AQUI!

Esta é uma causa que vale a pena lutar!
Abraços derretidos,
Giulieny Matos

VEJA AS FOTOS DO ANO ANTERIOR AQUI!

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Por que algumas pessoas enfrentam os problemas melhor que outras?



Por que algumas pessoas enfrentam melhor os problemas?

O Seminário Internacional Infância e Paz de combate à violência e cultura de paz responde!

O tema de 2013 será resiliência, a capacidade de enfrentar os problemas e seguir em frente.

No Senado Federal nos dias 18,19 e 20 de novembro de 2013. Programe-se! Inscrições gratuitas!
Certificado de participação garantido!

Por Giulieny Matos, de Brasília
*Aguardando cronograma oficial e data de inscrições

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Por que algumas pessoas amam e outras odeiam?


Por que algumas pessoas amam e outras odeiam?


O Seminário Internacional Infância e Paz de combate à violência e cultura de paz responde!


No Senado Federal (auditório Petrônio Portella) dias 18,19 e 20 de novembro de 2013. 
Programe-se! Inscrições gratuitas!

Sua participação social é importante para incentivar os legisladores a criarem leis protetivas para todos os brasileirinhos, para que, no futuro, cada um deles seja um cidadão pleno e saudável física e psicologicamente.

Por Giulieny Matos, de Brasília
*Aguardando cronograma oficial e data de inscrições

Os estudos de Maurice Berger, França

Coluna Infância e Paz
Cultura de Paz e combate à violência

“Um país que deixa seus bebês angustiados e não cuida de suas crianças não pode reclamar de adolescentes e adultos violentos.”
Prof. Maurice Berger da França, no Seminário internacional de Combate á Violência, Senado Federal, Brasília, 2012.

Por Giulieny Matos, de Brasília
Autora do livro "A Menina Derretida"
giulienymatos.blogspot.com

Todos sabemos que violência tem várias origens. Uma delas já definitivamente comprovada, passa pela formação e proteção da criança até 6 anos de idade, que trará em si elementos norteadores para toda sua vida. 

Segundo o Professor Maurício Berger, estudioso do comportamento violento há mais de 30 anos, “é surpreendente constatar que as crianças mais violentas... são aquelas expostas a cenas de violências conjugais ou negligenciadas. As crianças submetidas a uma situação de stress constante em virtude de violência conjugal são perturbadas por imagens violentas do passado que elas introjetaram em uma época que não tinham capacidade para entender o que estava acontecendo. Essas imagens (de visão da violência doméstica sofrida até mesmo quando o bebê possuía 2 meses de vida), podem ressurgir a qualquer momento, durante uma frustração, ou por exemplo em uma situação que lhe seja exigido um grau mínimo de educação, em um pequeno empurrão ou simplesmente quando são olhados", nos relata Berger.

Essas pessoas não diferenciam entre o presente e o passado e começam a atacar sem piedade e sem poder parar. (“Ele me encarou com um olhar estranho, então eu bati nele”). De um modo bem resumido, podemos dizer que o cortisol derramado no organismo provoca um mau desenvolvimento das células cerebrais, prejudicando esta área cerebral responsável por regular as emoções, em particular a agressividade. 



"Já a negligência é uma forma de maus tratos desapercebida. Não é o que você faz para uma criança, mas sim o que você não faz a ela, especialmente quando você não a olha, não lhe dá carinho, não a carrega, não lhe sorri e não brinca com ela. Uma mãe (pai) pode ser muito nervosa, grita muito, até perversa ou muito imprevisível e não cuida do seu filho. O mundo torna-se então incompreensível para ela. A origem do fracasso escolar se situa muitas vezes antes dos três anos de idade. A criança, não tendo à disposição nenhum adulto capaz de se identificar com o que elas sente, entra em um isolamento total, com sentimentos de angústia e de terror diante do vazio dos relacionamentos que ela vive, do abandono e da violência." 

COMO COMBATER ISSO? Carregue seu filho no colo, olhe-o nos olhos, cante, dance, brinque. Aceite o desafio de brincar 5 minutos todos os dias com ele, independentemente da idade. Brincar traz equilíbrio mental, psicológico e saúde. Como sociedade organizada, fica a reflexão: Como podemos colaborar para a quebra do ciclo negativo da violência?

Saiba mais: Adquira o livro Infância e Paz, Intervenções Oportunas, Senado Federal, 2012.

CLIQUE NO LINK ABAIXO
Por que algumas pessoas amam e outras odeiam?

prevenção precoce da violência, importância do brincar, negligência, violência doméstica

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Cultura de Paz

A autora de literatura Infantil de Brasília Giulieny Matos
participou do "V Seminário Internacional Infância e Paz"
promovido pelo Senado Federal
com presença de professores e autoridades do Brasil e da França